Que fique registrado

Que eu vi uma rua usando o céu azul como chapéu.
Que andei por uma calçada de verdade, com plantas e portarias e rachaduras e poças que não sabemos se são chuvas perdidas, vazamentos ou a marca indelével de um território canino.
Que andei pela calçada, depois por outras, e atravessei nas faixas de pedestres. E que vi pessoas vivendo suas vidas, levadas a passear por seus cachorros, se afunilando em restaurantes, saindo do mercado.
Que ao fim da rua me esperava o mar, e pessoas assavam felizes, ciclistas pedalavam felizes, vendedores vendiam suas coisas (talvez felizes).
Que o mar infinito tremulava bravo, criando ondas com grande estardalhaço, só para vê-las se esvaírem em espuma contra os míseros grãos da areia fina e quente.
Eu vi plantas, e céu, e gente, e mar e ondas e vento.
Fui feliz na virada do verão para o outono, numa manhã de sábado.
Que fique registrado.
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